30 de Junho de 2009

O Portal LexML Brasil é lançado oficialmente

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Política, Cidadania

LexML - LexML

“…Um exemplo do Brasil para outros países…”, “…com mais recursos de pesquisa do que o Google…”, “…um instrumento para maior cooperação e intercâmbio com outros países, em especial o Mercosul…”. Estes são apenas alguns dos destaques feitos pelos integrantes da mesa de lançamento oficial do Portal LexML Brasil, que aconteceu hoje, às 10h, no auditório do Interlegis.

O que é o LexML?

Trata-se de um portal especializado em informação jurídica e legislativa onde pretende-se reunir leis, decretos, acórdãos, súmulas, projetos de leis entre outros documentos das esferas federal, estadual e municipal dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todo o Brasil. O LexML é uma rede de informação legislativa e jurídica que pretende organizar, integrar e dar acesso às informações disponibilizadas nos diversos portais de órgãos do governo na Internet.

O LexML significa mais do que a unificação da informação legislativa e jurídica em um único portal: trata-se de uma infra-estrutura que permitirá manipular eficazmente a gigantesca quantidade de informações existentes no país.

É uma iniciativa conjunta de diversos órgãos liderados pelo Senado Federal, mas a partir da inauguração do portal, qualquer órgão do governo federal, estadual ou municipal que desejar ter as suas informações disponíveis no portal, após firmar o acordo de cooperação, poderá enviar seus dados.

Objetivos

Entre os objetivos do Portal LexML, podemos destacar o principal: identificar e estruturar as informações legislativas e jurídicas através da integração de processos de trabalho e compartilhamento de dados utilizando padrões abertos, nas três esferas administrativas (federal, estadual e municipal) e entre os órgãos dos três poderes da República (Executivo, Judiciário e Legislativo), por meio de hiperlinks persistentes, sistemas online e tratamento padronizado da estrutura textual.

Para que identificar a informação?

A identificação da informação permite, entre outras coisas, o estabelecimento de links entre documentos. No LexML, cada documento legislativo e jurídico possui um identificador unívoco e persistente (chamado URN), que pode ser referenciado sem o temor de que o endereço seja alterado no futuro, gerando “link quebrado” (erro HTTP 404). A identificação permite ainda agrupar as diversas manifestações de um texto disponíveis nos diversos órgãos, retornando para o cidadão apenas uma página referente a cada documento. Por exemplo, ao pesquisar “Código de Defesa do Consumidor”, o Portal LexML retornará uma única página com links para as ocorrências deste documento nos sítios de órgãos do governo, tais como Imprensa Nacional, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Presidência da República.
Como integrar a informação?

Normas jurídicas tais como leis, decretos ou instruções normativas não são documentos isolados uns dos outros. Nosso ordenamento jurídico é composto pela conjunto de normas emandas por vários órgãos e publicadas oficialmente. Alguns elementos permitem caracterizar o conjunto de normas como um sistema coeso:

- Citações: é comum, dentro do próprio texto normativo, ocorrem citações a outras normas. A Lei Federal nº 11.705, por exemplo, cita a Lei Federal nº 9.294. Citações são facilmente convertidas em hiperlinks, de forma que o conjunto de normas “antes independentes” se torna um hipertexto, um banco de dados onde as normas podem relacionar-se entre si.

- Dependências diretas: algumas normas citam outras para revogá-las ou detalhá-las. Conjuntos de normas assim relacionadas formam uma unidade coesa. Essas dependências também são facilmente registradas em banco de dados, e dão origem ao chamado “texto compilado” da norma original.

- Dependências hierárquicas: usualmente normas mais específicas e detalhadas regulamentam as normas mais gerais. Essa é uma relação típica entre, por exemplo, as Leis Federais e a Constituição da República. A hierarquia, num banco de dados, permite organizar de forma mais coerente grandes quantidades de normas.

- Vinculação por assunto: apesar de ser um dos aspectos mais difíceis de se estabelecer pela via da automação, o agrupamento de normas em função do assunto que tratam é de grande importância. Metodologias da Biblioteconomia e da Jurisprudência garantem a confiabilidade de procedimentos computacionais assistidos por pessoas especializadas.

- Relações espaciais e temporais: para responder a perguntas como “Em quais locais do mapa do Brasil vigoram as normas?”, ou “Quais normas do ordenamento jurídico federal, estadual e municipal um cidadão está submetido?”, é necessário manter-se o registro de relações geográficas e temporais.

Boa parte dessas informações se encontram explicitadas no texto da norma. O Projeto LexML estabeleceu tecnologias e recomendações para o registro de citações que permitem a criação de hiperlinks persistentes, o estabelecimento de relacionamentos semânticos entre documentos e a semi-automação da geração de texto compilado.

O que são nomes e referências persistentes?

Hipertextos estão cada vez mais presentes: na Internet, em livros, jornais e revistas eletrônicas, em CDs e DVDs. No entanto hipertextos que citam normas frequentemente perdem a sua validade. É comum clicarmos em uma citação e então, em vez de surgir o texto esperado, nos depararmos com uma mensagem de erro do tipo “página não econtrada”. O que significa isso? Que o autor da citação foi displicente? Que o site que contém o texto não respeita os seus usuários e muda de endereço?

Infelizmente, se fosse mera displicência dos autores ou revisores, não seria um problema tão comum. Trata-se de uma limitação da tecnologia de hipertexto baseado em endereçamento dos recursos.

É como querer enviar uma carta para uma pessoa indicando apenas o seu endereço, sem indicar o seu nome. No correio indicamos nome e endereço, mesmo assim se a pessoa muda de endereço sem avisar, perdemos o contato. Uma solução seria fornecer apenas o nome e um identificador, e os Correios conhecer o endereço. Por exemplo, a “Lei Seca”: Se hoje acesso o texto promulgado da Lei nº 11.705 em

http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=257318

mas nada garante que esse endereço continue válido amanhã.

O LexML provê tanto a garantia de sempre estar lá, pois ele foi criado para esse fim, como mecanismos padronizados para referenciar não apenas endereços, mas nomes específicos de documentos.

O nome oficial, grafado logo no início (epígrafe) do texto da “Lei Seca” é “LEI Nº 11.705, DE 19 DE JUNHO DE 2008″. O padrão LexML nada mais faz do que contextualizar esse nome e colocá-lo sob um formato simplificado, ou seja, estabelece procedimentos de tradução. O passo-a-passo da criação do nome uniform, é apresentado a seguir:

1. Simplificação de letras e números:
“LEI Nº 11.705, DE 19 DE JUNHO DE 2008″ ficaria como
“lei 11705, de 19/06/2008″

2. Conversão do formato da data (formato ISO):
“19/06/2008″ ficaria como “2008-06-19″

3. Colocação dos elementos na ordem padrão LexML:
“lei 11705, de 2008-06-19″ ficaria como
“lei;2008-06-19;11705″

4. Inclusão do contexto (norma da esfera Federal):
“br:federal:lei;2008-06-19;11705″.

Dessa forma, “urn:lex:br:federal:lei:2008-06-19;11705″ é o nome normalizado da “Lei Seca”, reconhecido sem ambiguidades e internacionalmente. Esse tipo de nome é conhecido como URN (do inglês “Uniform Resource Name”) e o padrão LexML garante que exista um único URN para cada documento legislativo e jurídico.

Quando fornecemos ao portal LexML uma URN, ele automaticamente “resolve” (traduz) este nome, nos fornecendo os links para os documentos desejados. As referências às normas, realizadas através do seu URN (nome oficial LexML), nunca se perdem e nunca são ambíguas; têm sua persistência e unicidade garantidas.

Vantagens: ao utilizarmos nomes (URNs) em vez de endereços (URLs) estamos garantindo que o site, CD, livro eletrônico ou mesmo referências impressas nunca sucateiem, nunca deixem de apontar para o texto oficial e mais atualizado da norma. Também se garante que não haverá confusão: nenhum leitor confundirá uma norma com outra, ou entre as várias versões da mesma norma.

Como posso pesquisar?

A pesquisa é realizada no Portal LexML utilizando palavras, números, datas, siglas, apelidos etc.

Como posso referenciar um documento?

Basta copiar o link disponível na página do documento selecionado. Por exemplo, o endereço abaixo:

http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:federal:lei:1993-06-21;8666

pode ser utilizado para referenciar a “Lei nº 8.666, de 21 de Junho de 1993″.

Fonte: Portal LexML

30 de Junho de 2009

Muito além da invisibilidade: objeto pode se transformar em outro

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia

Metamaterial - Metamaterial

A camuflagem óptica, mais conhecida por “invisibilidade”, saltou das páginas dos livros de ficção científica e das telas de cinema para as pranchetas dos cientistas desde que surgiram as primeiras versões práticas dos metamateriais.

Metamateriais são compósitos cuja variedade de padrões estruturais cria propriedades eletromagnéticas muito mais ricas do que as propriedades dos materiais que são utilizados em sua fabricação.

Indo além da invisibilidade

A invisibilidade é criada utilizando-se essas propriedades inusitadas dos metamateriais para fazer com que as ondas de luz que incidem sobre um objeto percorram caminhos alternativos, fazendo parecer que o objeto não está lá, quando ele de fato está - para entender o mecanismo completo e ver quais são as limitações do mecanismo.

Os cientistas já estão na versão 2.0 dos seus “mantos da invisibilidade”. Mas parecem querer ir bem mais longe do que isso.

Ilusionismo óptico

Recentemente, uma equipe da Universidade de Hong Kong descreveu a possibilidade teórica de se gerar a invisibilidade à distância. Segundo eles, tudo o que seria necessário seria construir o metamaterial com as propriedades eletromagnéticas adequadas.

Agora, a equipe do Dr. Yun Lai, a mesma que propôs a invisibilidade à distância, foi um passo além e descreveu como deve ser um metamaterial que transforme opticamente um material em outro, à distância, criando uma ilusão óptica.

Se já impressionou a invisibilidade ter saltado da ficção para a ciência, agora será a vez de qualquer forma de ilusionismo: você olhará para uma xícara e verá uma colher. Ou verá a entrada de um túnel onde existe tão-somente um muro sólido. E todos os vice-versas que se possa imaginar.

Óptica transformacional

Os pesquisadores utilizaram técnicas de óptica transformacional, na qual as equações de Maxwell explicam como o espaço se curva conforme as ondas de luz passam através dele.

O trabalho é teórico, mas poucos meses separaram a apresentação teórica da invisibilidade e os primeiros experimentos que a demonstraram na prática. Será uma questão de esperar um pouco para saber se a colher de fato existe ou não, Neo.

Leia mais sobre o assunto: aqui.

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29 de Junho de 2009

Instalada primeira turbina eólica oceânica flutuante

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Economia, Diversos

TurbinaEolica - TurbinaEolica

Turbina eólica flutuante

Acaba de ser instalada, na costa da Noruega, a primeira turbina eólica oceânica de grande porte. Localizada a 12 km a leste da cidade de Karmoy, a turbina tem um rotor com um diâmetro de 82 metros e será capaz de gerar sozinha 2,3 MegaWatts de energia.

A turbina eólica flutuante, chamada de HyWind, será conectada à rede elétrica do país e deverá servir como um laboratório de testes em escala real para a tecnologia de turbinas eólicas flutuantes. Ela começará a gerar eletricidade em Julho próximo.

Sem necessidade de fundações

Construir fundações para turbinas eólicas torna-se muito caro quando a profundidade oceânica supera os 50 metros, o que poderia limitar a exploração oceânica da energia eólica. Já a HyWind pode flutuar, tendo sido projetada para ser instalada em locais com profundidades entre 120 e 700 metros. O local onde a primeira HyWind foi instalada tem 220 metros de profundidade.

O mastro da turbina estende-se por 65 metros acima da linha d’água. Seu flutuador é construído em aço, indo até 100 metros de profundidade. Três cabos de aço ancoram a turbina eólica flutuante ao fundo do mar, para que sua posição se mantenha constante.

Um sistema avançado de controle permite que a turbina anule parcialmente os movimentos induzidos pelas ondas, mantendo-se mais estável, o que aumenta sua capacidade de geração de energia. A HyWind é um projeto conjunto das empresas StatoilHydro e Siemens.

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26 de Junho de 2009

Pedra de Roseta Digital vai guardar dados por 1.000 anos

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Diversos

PedraRoseta - PedraRoseta

A corrida por memórias mais rápidas, de maior capacidade e cada vez mais miniaturizadas parece não ter fim. E provavelmente não terá. Mas agora começou uma nova corrida, à medida que cresce a preocupação com a manutenção dos dados digitais para a posteridade.

Dados digitais ameaçados

A humanidade tem gerado dados e informações que superam anualmente o que havia sido criado durante séculos de história. Contudo, os meios de armazenamento digital estado-da-arte não duram mais do que 100 anos.

E os dados são simplesmente perdidos para sempre, seja por ação do magnetismo natural do ambiente, da umidade ou da simples deterioração pelo tempo. Um DVD de última geração não dura mais do que 30 anos.

Pedra de Roseta Digital

Pesquisadores japoneses acreditam ter achado uma possível solução para o problema: a criação do que eles batizaram de Pedra de Roseta Digital. A Pedra de Roseta foi um achado arqueológico que permitiu que os estudiosos decifrassem os hieróglifos egípcios.

O nome foi escolhido tanto por pretender que as gerações futuras acessem o conhecimento gerado hoje, como porque o aparato de armazenamento agora idealizado lembra uma rocha metamórfica, como a ardósia e outras pedras ornamentais, que são formadas em camadas.

Armazenamento em memória ROM

A proposta dos cientistas das universidades de Keio e Kyoto, em conjunto com a empresa Sharp, é um sistema de armazenamento de dados baseado em pastilhas de silício. Os dados são gravados no hardware, com os bits ocupando o lugar dos transistores e outros componentes eletrônicos no interior de um chip.

Os dados são escritos diretamente em uma pastilha de silício de 15 polegadas (38,1 cm) como se fossem uma memória ROM tradicional (ROM: Read Only Memory - memória somente para leitura), usando um feixe de elétrons.

As diversas pastilhas são empilhadas e seladas com óxido de silício, formando um aglomerado coeso, parecido com os grandes HDs dos primeiros computadores de grande porte e lembrando as ocorrências de ardósia e outras pedras decorativas.

A leitura é feita sem contato, por meio de uma outra pastilha de silício colocada sobre o grande disco ROM. Esta pastilha de leitura fornece a eletricidade necessária, sem fios e sem contato direto, para que as diversas pastilhas armazenadoras leiam seus próprios dados e os transmitam para a pastilha de leitura - um esquema com o mesmo conceito de funcionamento das etiquetas RFID.

RFID

No primeiro protótipo, apresentado pelos pesquisadores durante o 2009 Symposium on VLSI Circuits, no Japão, os pesquisadores utilizaram uma tecnologia CMOS de 45 nanômetros para construir as pastilhas ROM de armazenamento. Quatro dessas pastilhas empilhadas fornecem uma capacidade de armazenamento de 2,5 Terabits.

Os testes já avançaram para um chip ROM - a parte do circuito onde os dados são gravados - medindo 5 x 5 milímetros. Ao seu lado ficam duas bobinas, uma de 2 milímetros de diâmetro para recepção da energia elétrica necessária para seu funcionamento, e outra, de 0,4 milímetro, para transmissão dos dados.

Segundo os pesquisadores, utilizando quatro canais de comunicação sem fios, é possível suprir 56 mW de potência para a Pedra de Roseta Digital, mais do que suficiente para seu funcionamento seguro. A velocidade de leitura dos dados atinge 150 Mbps.

Memória eterna

A Pedra de Roseta Digital é promissora para o armazenamento de dados críticos, embora o sistema de gravação, com o nível atual de tecnologia, impeça seu uso fora dos ambientes de fabricação de chips.

Há menos de um mês, pesquisadores da Universidade de Berkeley apresentaram uma solução diferente, baseada em nanotubos de carbono. Embora ainda não tenha gerado um protótipo funcional, a proposta fala em uma “memória eterna,” capaz de durar mais de um bilhão de anos.

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25 de Junho de 2009

Etanol de toda a biomassa da cana eleva em 37% produtividade das usinas

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Economia, Diversos

etanol - etanol

Uma técnica para extrair etanol do bagaço e da palha da cana-de-açúcar - a biomassa da planta - poderá aumentar a produtividade das usinas em cerca de 37%. A técnica ainda está em caráter experimental, restrita a laboratórios, mas, segundo a coordenadora científica da Rede Bioetanol, Elba Bon, no prazo de três anos, poderá estar acessível para produção em escala industrial.

Etanol da biomassa

“Já é possível aumentar o processo de produção de etanol dos atuais 80 litros por tonelada de cana para 110 litros, se aproveitarmos o material que sobra do procedimento de obtenção normal do etanol, que é pelo caldo da cana”, explica a coordenadora.

Em nenhum país, o etanol extraído da biomassa é produzido em escala industrial ou comercial. “Mas no Brasil esses estudos já avançaram bastante, ainda que a tecnologia esteja sendo desenvolvida apenas na escala laboratorial”, avalia a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Leda Maria Fortes. “Isso poderá colocar o Brasil em uma posição ainda mais privilegiada”, completa Elba.

“Há, inclusive, um número considerável de usinas manifestando interesse em usar essa tecnologia. Até porque há grandes chances de a lucratividade da produção aumentar”, afirma a coordenadora da Rede Bioetanol. “Mas isso precisa ainda ser confirmado por meio de estudos”, pondera.

Etanol de segunda geração

O etanol usado comercialmente para abastecimento de veículos é extraído do caldo da cana. “A técnica que o país vem desenvolvendo permitirá, por meio do processo de hidrólise, a obtenção do chamado etanol de segunda geração, a partir dos resíduos que sobram da cana após uma primeira extração de etanol”, explica a pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Viridiana Leitão.

Segundo Elba, é possível obter etanol da biomassa por meio de dois processos de hidrólise: o ácido e o enzimático, que são diferenciados principalmente pelas substâncias utilizadas para a transformação da celulose em glicose.

A mais comum - porém menos indicada pelas pesquisadoras por gerar inibidores do processo de fermentação e, também, por corroer os equipamentos - é a hidrólise ácida.

Corrida da hora

Com os estudos desenvolvidos pela Rede Bioetanol, há grande expectativa de se desenvolver, em escala industrial, a hidrólise por meio da adição de enzimas.

“Esta é a corrida da hora”, aponta o professor de engenharia da Universidade Federal do ABC Adriano Ensinas, que também participa do workshop.

Aspectos sociais do desenvolvimento tornam a tecnologia ainda mais importante, segundo Elba, porque gera empregos para pessoas melhor qualificadas e, também, porque incentiva a qualificação profissional dos trabalhadores que já atuam em toda a cadeira de produção do etanol.

Além disso, a capacidade de produção pode aumentar mais, sem necessidade de expansão das áreas de cultivo. “Essa tecnologia pode diminuir a necessidade de área plantada, preservando o ecossistema e os mananciais de água do país”, argumenta Elba.

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25 de Junho de 2009

Lua de Saturno pode ter oceano tão salgado quanto os da Terra

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Diversos

lua saturno - lua saturno

Em 2005, a sonda Cassini descobriu jatos de poeira e cristais de gelo saindo da superfície da lua Encélado. Os jatos são tão fortes que uma parte deles escapa da gravidade da lua e abastece o anel mais externo de Saturno, o chamado anel E.

Em 2008, os cientistas Juergen Schmidt (Universidade de Potsdam) e Nikolai Brilliantov (Universidade de Leicester) desenvolveram uma teoria para explicar essas enormes colunas de vapor. Para funcionar, a teoria pressupõe a existência de um oceano de água líquida abaixo da superfície congelada da lua de Saturno, algo até então não comprovado.

O sal da lua

Agora, o mesmo grupo de pesquisadores, em colaboração com colegas alemães, afirmaram ter obtido a primeira evidência experimental da presença desse oceano. Ao detectar sais de sódio no grânulos de gelo do anel mais externo de Saturno, os cientistas acreditam ter encontrado a prova definitiva não apenas de que o oceano está lá, mas também de que ele é salgado, quase tão salgado quanto os oceanos da Terra.

Usando dados do instrumento CDA (Cosmic Dust Analyzer: analisador de poeira cósmica) da sonda Cassini, e comparando-os com experimentos em laboratório, os pesquisadores demonstraram que a concentração de cloreto de sódio no oceano de Encélado possui entre 0,1 e 0,3 moles de sal por quilograma de água.

Os cientistas concluíram que apenas a existência de água líquida em Encélado pode explicar a dissolução das quantidades significativas de minerais detectadas nos cristais de gelo. Apenas o processo de sublimação, o mecanismo pelo qual o vapor é liberado diretamente do gelo sólido na crosta da lua não é capaz de explicar a presença do sal nas concentrações verificadas.

“Nós acreditamos que os sais existentes nas rochas nas profundezas de Encélado foram intemperizadas pela camada de água líquida desse oceano,” diz o pesquisador Frank Postberg, da missão Cassini.

Elementos precursores da vida

Além do cloreto de sódio, o sal de cozinha, os cientistas descobriram que as partículas de gelo do anel E também contêm carbonatos, como a soda cáustica, o que coincide com a composição do oceano de Encélado prevista pela teoria. O achado tem implicações diretas para a existência de alguma forma de vida na lua.

“Os carbonatos determinam um pH levemente alcalino. Se a fonte líquida for um oceano, ela poderá oferecer um ambiente adequado para a formação dos elementos precursores da vida, quando se junta isto com as informações do calor medido próximo ao pólo sul de Encélado e aos compostos orgânicos encontrados no jatos de gelo,” diz Postberg.

Resultados controversos

Contudo, em outro estudo publicado na mesma edição da revista Nature, pesquisadores que utilizaram observatórios instalados no solo não encontraram sinais do sódio, um componente essencial dos sais. Segundo eles, a quantidade de sódio sendo ejetado por Encélado é de fato menor do que o observado ao redor de muitos outros corpos estelares.

A diferença é que esses cientistas procuraram pelo sódio diretamente nas colunas de vapor de Encélado, e não no anel E de Saturno, que é abastecido pelo gelo ejetado continuamente por estas colunas. Eles argumentam que, se o jato de vapor vem de um oceano, a evaporação deve acontecer lentamente em grandes profundidades, e não como um violento gêiser em erupção rumo ao espaço.

A descoberta de sal na coluna de vapor forneceria a evidência direta para a existência de água líquida sob a superfície congelada da lua de Saturno. Contudo, se o sódio de fato não existe, as conclusões sobre como a água se acumula no subsolo da lua podem mudar completamente.

Suaves colunas de vapor espacial

“O quadro original traçado para explicar as colunas de vapor, como se fossem gêiseres em erupção violenta, está mudando.” diz Postberg. “Elas parecem mais com jatos contínuos de vapor e gelo alimentados por um grande reservatório de água. Entretanto, nós não podemos decidir ainda se a água está de fato ‘presa’ no interior de grandes bolsões na grossa camada de gelo de Encélado ou se ela está conectada a um grande oceano em contato com o núcleo rochoso da lua.”

Os esforços de pesquisa do assunto não param por aqui: a descoberta da composição e da origem do material que forma as colunas de vapor de Encélado são a principal prioridade da missão estendida da sonda Cassini, que deverá durar pelo menos mais dois anos.

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24 de Junho de 2009

UFRJ lança livro digital falado - Projeto MEC Daisy

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia

mecdaisy - mecdaisy

Foi lançado hoje na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o software MEC Daisy, uma ferramenta que possibilita a produção de livros digitais falados para deficientes visuais.

O programa tem como base o padrão Digital Accessible Information System (Daisy) e possibilita que alunos com capacidade de visão reduzida ou cegueira tenham acesso gratuito a livros e documentos. A tecnologia transforma texto escrito em áudio. O nome MEC Daisy refere-se à versão desenvolvida sob orientação do Ministério da Educação.

Alfabetização em braille

“Algumas pessoas veem a tecnologia como uma ameaça, mas a alfabetização em braille vai continuar. O que temos é mais um parceiro. Quando se trata de educação inclusiva, temos que pensar em somar e multiplicar e não em subtrair e dividir”, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, que esteve presente no evento.

Além do áudio, o software oferece a opção de impressão do material em braille. Mas o diferencial, de acordo com o ministro, são os recursos de navegabilidade que permitem anotações e marcações de texto a partir de movimentos de teclas de atalhos ou do mouse. É possível também mudar de página.

Livros didáticos para deficientes

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), foram investidos R$ 680 mil para criar o programa. A pasta vai destinar ainda R$ 180 mil a cada um dos 55 centros de produção. A ideia é produzir os livros didáticos distribuídos às escolas em formato acessível para deficientes visuais. O material também vai integrar o Acervo Digital Acessível, espaço virtual criado pela Universidade de Brasília (UnB) para deficientes visuais.

Segundo a secretária de Educação Especial do MEC, Cláudia Dutra, todos os estados brasileiros aderiram ao projeto do livro digital falado. O material, de acordo com ela, vai ser destinado à educação básica e ao ensino superior. “Por muito tempo, perdurou a ideia do ensino e do espaço diferenciados, mas os deficientes visuais querem acesso pleno em espaços comuns”, afirmou.

Aproveitando saberes

Para o estudante Neno Henrique da Cunha, o software permite 100% de interação com o deficiente visual de maneira bastante simples. Ele perdeu a visão quando tinha 23 anos, ao levar um tiro no rosto durante um assalto no Rio de Janeiro. Cunha disse que teve dificuldades para aprender o braille e que o novo programa é uma alternativa para pessoas que foram alfabetizadas quando ainda enxergavam.

“Não estou desmerecendo o braille. Ele tem o seu espaço e nunca vai deixar de ser importante. O software é uma coisa a mais, que vem facilitar o acesso à cultura e à educação”, avaliou. Cunha participou dos testes realizados para o desenvolvimento do MEC Daisy e é aluno de mestrado da UFRJ.

O estudante lembrou que outros programas de leitura voltados para deficientes visuais ainda são limitados. Segundo ele, é preciso recorrer a outras pessoas para ler, por exemplo, notas de rodapé e numeração de páginas.

O novo programa pode ser acessado gratuitamente no endereço eletrônico www.intervox.nce.ufrj.br/mecdaisy.

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24 de Junho de 2009

Velocidade de dobra pode ser possível, dizem físicos

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Diversos

Enterprise - Enterprise

A velocidade de dobra é bem conhecida dos fãs de Jornada nas Estrelas, permitindo que a Enterprise viaje pela galáxia com velocidades superiores à velocidade da luz. Mas será que a velocidade de dobra é apenas um sonho ou é aquela espécie de projeto que está apenas aguardando a hora de se realizar?

Dois físicos da Universidade de Baylor, no Reino Unido, acreditam ter encontrado uma forma de trazer as viagens na velocidade da luz da ficção científica para a ciência, e de uma forma que não entra em contradição com as leis da física.

Bolha no espaço-tempo

Os Drs. Gerald Cleaver e Richard Obousy teorizam que, manipulando as dimensões do espaço-tempo ao redor de uma espaçonave, utilizando uma quantidade gigantesca de energia, seria possível criar uma “bolha” que poderia empurrar a nave mais rapidamente do que a velocidade da luz.

Para criar essa bolha, os físicos argumentam que seria necessário manipular a 11ª dimensão para criar energia escura. Cleaver afirma que a energia escura positiva é responsável por acelerar o universo, exatamente como aconteceu logo depois do Big Bang, quando o universo se expandiu mais rapidamente do que a velocidade da luz.

“Pense nisto como se fosse um surfista pegando uma onda,” afirma o físico. “A nave seria empurrada pela bolha e a bolha estaria viajando mais rápido do que a velocidade da luz.”

velocidade dobra - velocidade dobra

Motor de dobra

O método é baseado no motor de Alcubierre, que propõe a expansão do tecido do espaço atrás de uma espaçonave para formar uma bolha, e o encolhimento do espaço-tempo na frente na espaçonave.

A nave não se moveria de fato, ela se colocaria entre as dimensões de expansão e de encolhimento do universo. Como seria o espaço que se moveria ao redor da nave, a teoria não viola a Teoria da Relatividade de Einstein, que estabelece que seria necessário uma quantidade infinita de energia para acelerar um objeto mais rápido do que a velocidade da luz.

Teoria das cordas

A teoria das cordas sugere que o universo é feito de múltiplas dimensões. Altura, largura e comprimento são três dimensões, e o espaço é a quarta dimensão. Os cientistas que defendem a teoria das cordas acreditam que há um total de 10 dimensões, com seis outras que nós ainda não conseguimos identificar.

Uma nova teoria, chamada Teoria M, leva a teoria das cordas um passo adiante e estabelece que as cordas de fato vibram em um espaço de 11 dimensões. É esta 11ª dimensão que os dois físicos acreditam poder ajudar a impulsionar uma nave mais rápido do que a velocidade da luz.

Um Júpiter de energia

Os dois pesquisadores estimam que a quantidade de energia necessária para influenciar as dimensões adicionais é equivalente à massa inteira de Júpiter sendo convertida em energia.

“O que é uma quantidade enorme de energia,” diz Cleaver. “Nós estamos ainda muito distantes de poder criar algo que controle tal magnitude de energia.”

O artigo defendendo a teoria foi publicado no periódico científico Journal of the British Interplanetary Society.

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24 de Junho de 2009

Óculos interativos inteligentes atendem a comandos dos olhos

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Saúde, Diversos

OculosInteligente - OculosInteligente

As telas incorporadas em óculos e em capacetes já fazem parte do dia-a-dia dos pilotos de caças. Há especulações de que algumas equipes de Fórmula 1 já os utilizam, mas esses equipamentos continuam na categoria de promissores, não tendo ainda conquistado um uso mais largo, nem mesmo nos games e ambientes de realidade virtual.

Óculos interativos inteligentes

Agora, engenheiros alemães resolveram dar um incremento nesses equipamentos-conceito, incorporando-lhes “inteligência”: utilizando um minúsculo chip com um rastreador do olho, os novos óculos interativos permitem que o usuário selecione os dados a serem visualizados - e isto usando apenas o próprio olhar.

Essas minúsculas telas, conhecidas pela sigla HMD (”Head-Mounted Displays”: telas montadas na cabeça), até agora eram uma via de dados de mão única, apenas mostrando informações. “Nós queremos tornar esses óculos bidirecionais e interativos, para que novas áreas de aplicação se abram,” explica o Dr. Michael Scholles, do Instituto Fraunhofer.

Comandos com os olhos

Os novos HMDs são conectados a um PDA, responsável por detectar os comandos emitidos pelos olhos do usuário e acionar o programa rodando no computador principal, que envia os dados para os óculos.

O objetivo da inovação é dar aos projetistas e engenheiros uma forma de selecionar rapidamente uma parte do projeto para dar um zoom. Tudo o que o usuário precisa fazer é fixar o olhar em determinado ponto da imagem. Sem usar diretamente qualquer outro equipamento - nem mouse e nem teclado - é possível abrir um menu, selecionar opções e até alterar as imagens mostradas.

Chip orgânico

O chip mede 19,3 por 17 milímetros. No protótipo ele está fixado na parte superior da armação dos óculos. A imagem da microtela é projetada diretamente na retina do usuário, dando a sensação de que ela está sendo visualizada de uma distância de cerca de um metro.

Como a imagem precisa superar a claridade do ambiente, os pesquisadores tiveram que apelar para os LEDs orgânicos, diodos emissores de luz estado-da-arte, capazes de gerar uma luminosidade muito elevada em comparação com os LEDs tradicionais.

Além dos engenheiros, os pesquisadores esperam que os novos óculos encontrem uso também entre os médicos e cirurgiões, que poderão acessar dados do paciente e imagens de exames enquanto fazem a operação.

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Leonardo
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