Marinho adentra a oceanografia
por GERALDO A. LOBATO FRANCO
- Doutor em Educação
- Mestre em Ciência da Informação
- Bacharel em História e Literatura Hispânica
- Marinho, porque o mar é azul, e verde, e esmeralda claro em alguns lugares como no Caribe?
- A cor da água tem a ver com a cor do céu. Se está muito escuro ou nublado, as águas oceânicas escurecem, pois estas refletem-no. Mas em certos lugares como no Caribe, onde as águas são sempre límpidas existe a influência de grandes caudais em direta influência ao fenômeno.
- Que grandes caudais são esses?
- Pelo menos dois, dois ou três rios cujas águas volumosas seguem diretamente ao grande Caribe: O Amazonas, o Orinoco e o Madalena.
- As águas do Amazonas chegam até lá encima?
- Claro! São movimentadas pela Corrente Atlântica, que sobem ao hemisfério Norte e são puras. Há certos lugares do Amazonas em que se pode beber água mais pura que em grandes cidades mundiais.
- Dizem que na Jamaica se pode notar a diferença da qualidade das águas em certas épocas, quando o Amazonas entrega a sua carga …
- E o volume total desses ou mais rios, que desembocam ali no Caribe, constituem algo inigualável, em se considerando o tamanho da área e o seu formato em baía, protegido ao Leste por uma cadeia de ilhas vulcânicas concentrando essas águas, entre elas a Jamaica.
- Por isso então é que aparentam uma certa pureza, translucidez, em toda a região … isso tem uma certa lógica.
- Fotos de satélite da Baía da Guanabara mostram uma pluma de águas impuras saindo dali e subindo a costa, com certeza uma troca das águas impuras com outras, mais puras, do Atlântico …
- É por isso que ainda existem botos vivendo no meio da baía … a pureza relativa dali comparada com a dos demais espaços totalmente poluídos explica esta resistência … nos anos 50 eram dezenas deles, me lembro de tê-los visto uma vez, pulando contentes horas a fio …
- E no fundo, lá pros lados de Guapi-mirim, ainda estão intactas as áreas de proliferação de peixes, os manguezais, ora quase que totalmente inexistentes noutros lugares.
- Pucha, estamos escapando da morte total … falta pouco …
- Mas falta pouco, mesmo, se não houver um controle mais definitivo dos venenos poluentes. Aliás, não é só ali, é praticamente em toda a parte do mundo, dito civilizado … a Rachel Carson, nos anos 50, já mostrava a fragilidade do ambiente marítimo, em seu livro O mar que nos une (creio que este seja o título em português, ou será O mar que nos cerca?) … desde então quase que todas as grandes famílias de baleias deixaram de existir …
- E hoje em dia já se vão quase que todas as suas espécies, caçadas ao ponto de extinção …
- Conheço um local na costa da Califórnia para onde se mudou no fim dos 60 uma flotilha inteira de pesca, que já havia então praticamente dizimado os estoques de atum além das 200minauts americanas na altura de San Diego, para pescar o que pudessem, no Canal de Santa Barbara.
- Como?
- Com o auxílio de um avião observador que cientificamente descobre a existência desses cardumes, a sua direção, volume, espécies, a sua qualidade em termos de tamanho, enfim, só não se fica sabendo o nome próprio de cada peixe, se Manuel ou Joaquim ou se têm pinta na testa.
- Mas como?
- Pela observação aérea da bio-fotoluminiscência dos cardumes que passam no canal, que em seguida é informada aos pesqueiros que se dão ao trabalho de lançar redes e colhe-las cheias … o observador é pago com cerca de 30% do valor da tonelagem total aprisionada. Mas o alarme já foi dado, falta pouco para que se extingam diversas espécies, o bacalhau é uma delas …
- O bacalhau?
- É. Os canadenses estão perdendo os seus empregos na pesca do gadídeo e pelo menos nos próximos cinco, dez anos; os bancos da Terra Nova estão se tornando rarefeitos dessa espécie. Na Noruega, país que sempre se preocupou com as suas fontes de alimentação, a pesca está organizada sob regras de quotas, a serem seguidas fielmente, incluindo aí multas, caso pesquem fora da época, ou fora do tamanho ideal, enfim, tá complicado … reparou no preço do bicho?
- É comer enquanto ainda existe …
- E pensar que nos anos 70 ainda se acreditava que os estoques que existiam eram infinitos, que levaríamos uma eternidade para acabar com tudo … estamos chegando ao fim muito depressa … muito …