11 de Julho de 2009

Madeira laminada e concreto produzem vigas mais resistentes

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Economia

madeira laminada - madeira laminada

Viga de concreto e madeira

Na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, uma pesquisa demonstrou as vantagens e a resistência de elementos estruturais feitos com madeira laminada colada (MLC) e concreto armado.

O trabalho aponta que a combinação de materiais produz vigas com menor deformação, que permitem a adoção de grandes vãos e o uso em edificações com grande nível de carga. Além de utilizar espécies provenientes de florestas cultivadas, o sistema permite um uso mais racional da madeira.

Segundo o engenheiro José Luiz Miotto, autor da pesquisa, uma tendência atual da engenharia é combinar materiais em locais apropriados das estruturas para aproveitar o melhor de suas propriedades. “São feitas experiências combinando aço e concreto, ou aço e madeira, por exemplo, a fim de se explorar as características de cada um dos componentes”.

Madeira laminada

Para o estudo, foram produzidas vigas com dimensões estruturais, semelhantes às adotadas em edificações, com 5 metros de comprimento. “A fabricação utilizou um material ecologicamente correto”, relata o pesquisador, que é professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná. “A madeira laminada é produto manufaturado resultante da colagem de lâminas de madeira provenientes de florestas plantadas, utilizando uma espécie híbrida de dois tipos de eucalipto (Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla)”.

Simulações numéricas realizadas em computador mostraram a eficiência do sistema misto em termos de comportamento estrutural. “A deformação é muito menor do que nas vigas construídas somente em madeira”, ressalta o engenheiro. “Esse ganho já havia sido observado em outros estudos, mas o experimento comprovou a redução da deformabilidade do sistema”.

Reforço com fibra de vidro

Os resultados do trabalho mostram que o reforço com fibras de vidro aumenta a resistência do sistema. “Apesar da discreta contribuição em termos de redução nas deformações, há uma maior uniformidade nas forças que levam à ruptura”, afirma Miotto. “As fibras também diminuem o nível de tensão encontrado nas lâminas, o que permite um melhor aproveitamento da madeira, racionalizando custos”.

No estudo também foi desenvolvido um novo elemento de ligação entre a MLC e o concreto, baseados em chapas de aço perfuradas. “As novas conexões apresentaram excelente potencial, que poderá ser detalhado em outros estudos”, planeja o engenheiro. Para os experimentos, porém, adotou-se uma técnica tradicional - também avaliada pelo pesquisador - baseada em ganchos metálicos, para se conseguir mais simplicidade na execução.

Vigas mistas

O engenheiro aponta que as estruturas mistas podem ser adotadas em qualquer tipo de construção, seja de pequeno ou grande porte. “Elas são mais adequadas para utilização em pontes ou passarelas e edificações com nível de carregamento elevado”, diz. “Como a madeira laminada não apresenta limitações de comprimento, é possível executar vãos de 20, 30 metros sem precisar de apoios intermediários”.

A pesquisa de Miotto, descrita em tese de doutorado apresentada no Departamento de Engenharia de Estruturas da EESC, propõe um procedimento para o dimensionamento das vigas mistas de madeira e concreto reforçadas com fibras de vidro. “Seria uma complementação à NBR 7190/97, atualmente em vigor”, explica. “No exterior, já existe normatização sobre estruturas mistas, embora não mencione o reforço com fibras de vidro”. O trabalho foi orientado pelo professor Antonio Alves Dias, que desenvolve uma linha de pesquisa sobre o uso da madeira laminada em estruturas.

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29 de Junho de 2009

Instalada primeira turbina eólica oceânica flutuante

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Economia, Diversos

TurbinaEolica - TurbinaEolica

Turbina eólica flutuante

Acaba de ser instalada, na costa da Noruega, a primeira turbina eólica oceânica de grande porte. Localizada a 12 km a leste da cidade de Karmoy, a turbina tem um rotor com um diâmetro de 82 metros e será capaz de gerar sozinha 2,3 MegaWatts de energia.

A turbina eólica flutuante, chamada de HyWind, será conectada à rede elétrica do país e deverá servir como um laboratório de testes em escala real para a tecnologia de turbinas eólicas flutuantes. Ela começará a gerar eletricidade em Julho próximo.

Sem necessidade de fundações

Construir fundações para turbinas eólicas torna-se muito caro quando a profundidade oceânica supera os 50 metros, o que poderia limitar a exploração oceânica da energia eólica. Já a HyWind pode flutuar, tendo sido projetada para ser instalada em locais com profundidades entre 120 e 700 metros. O local onde a primeira HyWind foi instalada tem 220 metros de profundidade.

O mastro da turbina estende-se por 65 metros acima da linha d’água. Seu flutuador é construído em aço, indo até 100 metros de profundidade. Três cabos de aço ancoram a turbina eólica flutuante ao fundo do mar, para que sua posição se mantenha constante.

Um sistema avançado de controle permite que a turbina anule parcialmente os movimentos induzidos pelas ondas, mantendo-se mais estável, o que aumenta sua capacidade de geração de energia. A HyWind é um projeto conjunto das empresas StatoilHydro e Siemens.

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25 de Junho de 2009

Etanol de toda a biomassa da cana eleva em 37% produtividade das usinas

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Economia, Diversos

etanol - etanol

Uma técnica para extrair etanol do bagaço e da palha da cana-de-açúcar - a biomassa da planta - poderá aumentar a produtividade das usinas em cerca de 37%. A técnica ainda está em caráter experimental, restrita a laboratórios, mas, segundo a coordenadora científica da Rede Bioetanol, Elba Bon, no prazo de três anos, poderá estar acessível para produção em escala industrial.

Etanol da biomassa

“Já é possível aumentar o processo de produção de etanol dos atuais 80 litros por tonelada de cana para 110 litros, se aproveitarmos o material que sobra do procedimento de obtenção normal do etanol, que é pelo caldo da cana”, explica a coordenadora.

Em nenhum país, o etanol extraído da biomassa é produzido em escala industrial ou comercial. “Mas no Brasil esses estudos já avançaram bastante, ainda que a tecnologia esteja sendo desenvolvida apenas na escala laboratorial”, avalia a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Leda Maria Fortes. “Isso poderá colocar o Brasil em uma posição ainda mais privilegiada”, completa Elba.

“Há, inclusive, um número considerável de usinas manifestando interesse em usar essa tecnologia. Até porque há grandes chances de a lucratividade da produção aumentar”, afirma a coordenadora da Rede Bioetanol. “Mas isso precisa ainda ser confirmado por meio de estudos”, pondera.

Etanol de segunda geração

O etanol usado comercialmente para abastecimento de veículos é extraído do caldo da cana. “A técnica que o país vem desenvolvendo permitirá, por meio do processo de hidrólise, a obtenção do chamado etanol de segunda geração, a partir dos resíduos que sobram da cana após uma primeira extração de etanol”, explica a pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Viridiana Leitão.

Segundo Elba, é possível obter etanol da biomassa por meio de dois processos de hidrólise: o ácido e o enzimático, que são diferenciados principalmente pelas substâncias utilizadas para a transformação da celulose em glicose.

A mais comum - porém menos indicada pelas pesquisadoras por gerar inibidores do processo de fermentação e, também, por corroer os equipamentos - é a hidrólise ácida.

Corrida da hora

Com os estudos desenvolvidos pela Rede Bioetanol, há grande expectativa de se desenvolver, em escala industrial, a hidrólise por meio da adição de enzimas.

“Esta é a corrida da hora”, aponta o professor de engenharia da Universidade Federal do ABC Adriano Ensinas, que também participa do workshop.

Aspectos sociais do desenvolvimento tornam a tecnologia ainda mais importante, segundo Elba, porque gera empregos para pessoas melhor qualificadas e, também, porque incentiva a qualificação profissional dos trabalhadores que já atuam em toda a cadeira de produção do etanol.

Além disso, a capacidade de produção pode aumentar mais, sem necessidade de expansão das áreas de cultivo. “Essa tecnologia pode diminuir a necessidade de área plantada, preservando o ecossistema e os mananciais de água do país”, argumenta Elba.

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17 de Junho de 2009

Cana-de-açúcar 3.0: do etanol à bioeletricidade e aos hidrocarbonetos

Publicado por Leonardo Sussuarana em Tecnologia, Economia, Diversos

cana de acucar - cana de acucar

Do açúcar ao etanol, e daí para a eletricidade, para os plásticos e, finalmente, até os hidrocarbonetos. Para Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essa é a rota de utilização da cana a ser seguida pelas atividades de pesquisa científica e tecnológica nos próximos anos.

“É muito provável que, daqui a dez anos, o Brasil esteja investindo em estudos e na produção de hidrocarbonetos a partir de açúcares convencionais, quando a cana poderá dar origem a um combustível de terceira geração, principalmente se o preço do petróleo voltar a patamares elevados”, disse.

Novas rotas de utilização da cana

“Essas novas rotas de utilização da cana são uma possibilidade extremamente concreta e bem próxima da realidade. Pelo menos uma dezena de empresas americanas está investindo pesadamente nessa área, seja por vias biológicas ou não biológicas. Essa nova fronteira acontecerá tão mais rápido quanto maiores forem a escassez do petróleo e os problemas do clima”, afirmou.

Segundo Jank, atualmente as pesquisas e suas aplicações estão entrando na era da eletricidade gerada a partir da cana-de-açúcar e também é muito provável que, em poucos anos, a maior parte do bagaço e da palha da cana seja usada para a geração de energia elétrica, “que hoje é o mercado demandante, uma vez que já existe um excedente de etanol no mercado devido à expansão da indústria nacional nos últimos anos”.

Energia contida na biomassa

Dois terços da energia da cana-de-açúcar, seja para a produção de biocombustíveis ou eletricidade, têm origem na biomassa da gramínea, explicou o presidente da Unica, entidade que reúne 127 empresas industriais associadas.

Segundo ele, a energia contida nas plantações de cana do país apresenta potencial estimado da ordem de 14 mil megawatts, o que representaria “duas usinas de Itaipu adormecidas nos canaviais brasileiros”.

Bioeletricidade

“O potencial de crescimento da eletricidade de cana, a chamada bioeletricidade, é surpreendente, devendo passar dos atuais 3% da matriz energética nacional para cerca de 15% em 2020, isso considerando apenas a utilização do bagaço e da palha da cana que está plantada atualmente no Brasil”, apontou o também professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

A biomassa da cana é considerada ainda, de acordo com Jank, uma matéria-prima cada vez mais importante para a indústria da alcoolquímica, com destaque para os plásticos verdes e uma série de outros produtos que podem ser feitos além do etanol.

“Estamos diante de um emaranhado de possibilidades e as experiências brasileiras ainda estão à frente do ponto de vista global, mas essa dianteira ainda não está garantida e dependerá de muito investimento em pesquisa e desenvolvimento na área, além da definição de uma nova agenda de pesquisa para a cana no mundo da energia”, destacou.

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28 de Maio de 2009

Crise econômica não atinge comércio de vendas diretas

Publicado por Juliana Mendes em Economia, Cidadania

Sistema composto por empresas consagradas no mercado nacional, como Avon e Natura, atravessa a crise econômica mundial intacto.

Juliana Mendes

Um sistema iniciado no final do século XVIII pela Enciclopédia Britânica, que levava caixeiros viajantes de porta a porta oferecendo conhecimento às famílias, chegou ao Brasil em meados dos anos 1950, se expandiu e hoje recebe o nome de comércio de vendas diretas. Livros, produtos de limpeza, cosméticos e até automóveis são vendidos através desse sistema de comercialização, que consiste no contato direto entre vendedores e compradores fora de um estabelecimento fixo. Apesar do momento de instabilidade econômica, o setor teve um aumento de 12% no faturamento bruto no último trimestre de 2008, com 444 milhões de itens vendidos e dois milhões de revendedores ativos no país, segundo informações da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD).

Ao contrário do comércio comum, que apesar de fechar o ano com um crescimento de 9,1%, passou por momentos de retração como no último trimestre em que sofreu queda de 2,3% em relação ao anterior, o comércio porta a porta teve crescimento nominal de 14,1% e movimento de R$ 18,5 bilhões, mantendo o crescimento dos últimos anos. Segundo a ABEVD, o aumento de revendedores e da média, em 6,4%, de produtos vendidos por cada um pode ter contribuído para o sucesso do setor no estopim da crise. Segundo o presidente da associação, Lírio Cipriani, um dos motivos que pode estar levando o PAP a passar intacto pela crise é o fato de dependerem de “pessoas autônomas que repassam os produtos para amigos e parentes na base do relacionamento”, e não dependerem de crédito. “As vendas diretas não apresentam sinais de impacto diante da crise financeira mundial, talvez pelo fato de não operarmos com base no crédito”, diz.

Hoje, são cerca de 300 empresas atuando no setor também conhecido como Venda Porta a Porta (PAP). Liderando o ranking dos produtos mais comercializados estão os cosméticos. A empresa mais conhecida no mercado é a Avon, que atua no Brasil desde 1959 e possui faturamento de cerca de R$ 1 bilhão por ano. Outras, como a Natura, já deixaram suas marcas no mercado nacional. O grupo Silvio Santos também entrou no ramo com a criação da Jequiti Cosméticos em 2006, e vem se consolidando no país com mais de 240 produtos a venda.

Outro produto muito comercializado através do PAP é o livro. Em 2007, o setor era o terceiro canal mais importante de venda de livros com um crescimento de 9,7% em relação a 2006, perdendo apenas para as livrarias e distribuidoras. Apesar de não terem números recentes, o presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Luis Antonio Torelli, compartilha da mesma opinião de Cipriani em relação aos motivos do crescimento em 2008. “Não podemos ignorar uma crise com estas características e tamanho. Estamos atentos, mas não sentimos maiores preocupações, muito provavelmente porque o setor é autofinanciável. Além disso, e aí está a nossa maior vantagem, contamos com uma legião de vendedores de livros que atravessam este país buscando o leitor/consumidor, onde quer que ele esteja, ao contrário de outros segmentos que precisam aguardar a visita do cliente”, comemora.

Em 2006, o Brasil ocupava o quinto lugar no ranking mundial de vendas diretas com um faturamento de US$ 6,9 bilhões. Segundo levantamento da Federação Mundial das Associações de Vendas Diretas (WFDSA, sigla em inglês) realizado em 2007, o Brasil subiu para a terceira posição com faturamento de US$ 9,1 bilhões, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Japão, que faturaram US$ 30,8 e US$ 20,3 bilhões respectivamente.

O sistema é benéfico para as empresas que podem levar seus produtos a todos os cantos do país e para os revendedores, que se tornam trabalhadores autônomos, como uma forma de fugir do emprego tradicional que não tem flexibilidade de horários, além dos consumidores que terão comodidade nas compras. Com o aumento dos índices de desemprego, anunciados mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o PAP é também uma opção para amenizar os efeitos nocivos para a população.

O sistema ajuda também na complementação de renda de muitos brasileiros, como é o caso de Maria Aucilene Paizinho de Lima, que há três anos é revendedora Avon. Recebe 30% da Avon e 20% da Shopping Mais, que pertence à mesma empresa e vende de roupas a utensílios de cozinha. A porcentagem de 50% ajuda a complementar o salário de cerca de R$ 950 que ganha no seu emprego de recepcionista. O lucro, segundo ela, varia. Tem mês que lucra em torno de R$ 80, mas já chegou a ganhar R$ 480. “Estou sempre com dinheiro na carteira. Sei que é da Avon, mas na hora da necessidade eu uso e depois reponho. Já me ajudou muito, já me tirou do sufoco. Tem mês que pago minhas contas de água e luz com dinheiro que ganho da Avon”, diz. Seus cerca de 20 clientes fixos são todos do ambiente de trabalho. Segundo ela, as pessoas já conhecem a qualidade dos produtos, que são baratos, o que facilita as vendas. Vilma Gonçalves de Menezes é cliente de Aucilene desde que ela começou no ramo, e confirma o que diz a vendedora. “Sempre vem produtos de boa qualidade, mas sempre sei o que vou pedir, são produtos que uso frequentemente”, declara.

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