31 de Julho de 2009

Rio de Janeiro

Publicado por GERALDO FRANCO em Geraldo Franco

geraldo - geraldo
Rio de Janeiro
por GERALDO A. LOBATO FRANCO
- Doutor em Educação
- Mestre em Ciência da Informação
- Bacharel em História e Literatura Hispânica

 

- Pois é, diz a lenda porque parecia-se com a foz de um rio achado em janeiro, logo, Rio de Janeiro …

- Os primeiros viajantes, sem contar com os que vieram pra ficar, e ficaram o quanto puderam, achavam as nossas defesas marítimas interessantes; veja só o que dizia o norte-americano Kidder, na primeira metade do século XIX:

“Desde que Duguay Trouin levantou ferro, de regresso à França, nenhuma outra esquadra inimiga jamais rompeu a barra do Rio de Janeiro e, de então a esta parte, foram profundas as modificações que sofreu a cidade.”

- Com certeza se referia à proteção oferecida pelas fortalezas que foram construídas ao redor da nossa boca de barra, não?

- Também, pois não foram poucas essas construções. Palácios, urbanização moderna…

- Trouin fez-nos um tremendo estrago, mas o pirata é reconhecido em sua pátria como herói nacional, com estátua e tudo, no porto bretão de Saint Malô, sua cidade.

- Não foi por menos que ganhou essa fama. Deu-nos um verdadeiro banho, merecido, talvez …

- As preocupações de defesa do porto do Rio depois de Trouin eram muitas, veja só o que dizia o mesmo autor, Kidder, sobre a nossa orografia marítima:

“… a tal posição das diversas fortalezas construídas em sua barra, nas ilhas e nos pontos elevados que lhe ficam à cavaleiro que, bem guarnecidas podem eficientemente resistir à mais poderosa esquadra do globo.”

- E, mais adiante explica:

“Sobre a mais proeminente das elevações, o Morro do Castelo, exatamente em frente à barra, fica o posto semafórico que anuncia à entrada a nacionalidade, a classe e a posição de cada navio que surge a seu alcance.”

- Já estávamos um pouco mais civilizados então, não lhe parece? Controlando a entrada e a saída do porto …

- Sempre o fomos, ou ao menos quisemos sê-lo, pois a vinda ao Rio era coisa de meses e meses de muito mar, o que queria dizer quase sempre pouca água e comida menos saudável. O bairro da Saúde, com a sua igrejinha de Nossa Senhora da Saúde, era visitada quase sempre pelos marujos que chegavam cobertos de escorbuto, que vinham pedir à santa a sua saúde de volta … isso até a virada do século, quando se construiu o moderno porto do Rio, com o seu cais de muitos armazéns e toda a área foi aterrada solidamente.

- Coisa esta que conseguiam logo graças às nossas laranjas, limões e abacaxis, fartos em vitamina C … dentre outras frutas da terra.

- Vinham do fundo da baía, de Nova Iguaçu, dentre outros lugares onde eram plantadas em grandes pomares. Até de mais perto ainda, a Ilha do Fundão, por exemplo, tornou-se um belo de um jardim frutífero, pois ali foi instalado um asilo de inválidos da pátria, onde hoje está localizada uma Companhia de Infantaria que serve ao QG do Ministério da Guerra …

- Isso era o Rio, desde então de muitos janeiros …

30 de Julho de 2009

Marinho adentra a oceanografia

Publicado por GERALDO FRANCO em Geraldo Franco

geraldo - geraldo
Marinho adentra a oceanografia
por GERALDO A. LOBATO FRANCO
- Doutor em Educação
- Mestre em Ciência da Informação
- Bacharel em História e Literatura Hispânica

 

- Marinho, porque o mar é azul, e verde, e esmeralda claro em alguns lugares como no Caribe?

- A cor da água tem a ver com a cor do céu. Se está muito escuro ou nublado, as águas oceânicas escurecem, pois estas refletem-no. Mas em certos lugares como no Caribe, onde as águas são sempre límpidas existe a influência de grandes caudais em direta influência ao fenômeno.

- Que grandes caudais são esses?

- Pelo menos dois, dois ou três rios cujas águas volumosas seguem diretamente ao grande Caribe: O Amazonas, o Orinoco e o Madalena.

- As águas do Amazonas chegam até lá encima?

- Claro! São movimentadas pela Corrente Atlântica, que sobem ao hemisfério Norte e são puras. Há certos lugares do Amazonas em que se pode beber água mais pura que em grandes cidades mundiais.

- Dizem que na Jamaica se pode notar a diferença da qualidade das águas em certas épocas, quando o Amazonas entrega a sua carga …

- E o volume total desses ou mais rios, que desembocam ali no Caribe, constituem algo inigualável, em se considerando o tamanho da área e o seu formato em baía, protegido ao Leste por uma cadeia de ilhas vulcânicas concentrando essas águas, entre elas a Jamaica.

- Por isso então é que aparentam uma certa pureza, translucidez, em toda a região … isso tem uma certa lógica.

- Fotos de satélite da Baía da Guanabara mostram uma pluma de águas impuras saindo dali e subindo a costa, com certeza uma troca das águas impuras com outras, mais puras, do Atlântico …

- É por isso que ainda existem botos vivendo no meio da baía … a pureza relativa dali comparada com a dos demais espaços totalmente poluídos explica esta resistência … nos anos 50 eram dezenas deles, me lembro de tê-los visto uma vez, pulando contentes horas a fio …

- E no fundo, lá pros lados de Guapi-mirim, ainda estão intactas as áreas de proliferação de peixes, os manguezais, ora quase que totalmente inexistentes noutros lugares.

- Pucha, estamos escapando da morte total … falta pouco …
- Mas falta pouco, mesmo, se não houver um controle mais definitivo dos venenos poluentes. Aliás, não é só ali, é praticamente em toda a parte do mundo, dito civilizado … a Rachel Carson, nos anos 50, já mostrava a fragilidade do ambiente marítimo, em seu livro O mar que nos une (creio que este seja o título em português, ou será O mar que nos cerca?) … desde então quase que todas as grandes famílias de baleias deixaram de existir …

- E hoje em dia já se vão quase que todas as suas espécies, caçadas ao ponto de extinção …

- Conheço um local na costa da Califórnia para onde se mudou no fim dos 60 uma flotilha inteira de pesca, que já havia então praticamente dizimado os estoques de atum além das 200minauts americanas na altura de San Diego, para pescar o que pudessem, no Canal de Santa Barbara.

- Como?

- Com o auxílio de um avião observador que cientificamente descobre a existência desses cardumes, a sua direção, volume, espécies, a sua qualidade em termos de tamanho, enfim, só não se fica sabendo o nome próprio de cada peixe, se Manuel ou Joaquim ou se têm pinta na testa.

- Mas como?

- Pela observação aérea da bio-fotoluminiscência dos cardumes que passam no canal, que em seguida é informada aos pesqueiros que se dão ao trabalho de lançar redes e colhe-las cheias … o observador é pago com cerca de 30% do valor da tonelagem total aprisionada. Mas o alarme já foi dado, falta pouco para que se extingam diversas espécies, o bacalhau é uma delas …

- O bacalhau?

- É. Os canadenses estão perdendo os seus empregos na pesca do gadídeo e pelo menos nos próximos cinco, dez anos; os bancos da Terra Nova estão se tornando rarefeitos dessa espécie. Na Noruega, país que sempre se preocupou com as suas fontes de alimentação, a pesca está organizada sob regras de quotas, a serem seguidas fielmente, incluindo aí multas, caso pesquem fora da época, ou fora do tamanho ideal, enfim, tá complicado … reparou no preço do bicho?

- É comer enquanto ainda existe …

- E pensar que nos anos 70 ainda se acreditava que os estoques que existiam eram infinitos, que levaríamos uma eternidade para acabar com tudo … estamos chegando ao fim muito depressa … muito …

29 de Julho de 2009

Marinho e Moleque continuam o seu papo

Publicado por GERALDO FRANCO em Geraldo Franco

geraldo - geraldo
Marinho e Moleque continuam o seu papo
por GERALDO A. LOBATO FRANCO
- Doutor em Educação
- Mestre em Ciência da Informação
- Bacharel em História e Literatura Hispânica

 

Já havia terminado o meu sanduíche, até jogado fora o papel de envólucro e a garrafinha de refrigerante, quando surgiram, do outro lado do cais os dois amigos: vinham conversando …

- Pois é, essa do Minas Gerais ter sido vendido como sucata é um caso sério … por quilo, como se vende peixe e batata …

- Envelheceu, ou vai pro lixo ou vira sabão, nos fornos das grandes desmontadoras européias, que dizem já terem sido suplantadas pelas do Paquistão em Bangladesh …

- Ou para a beira do cais de Santos onde o Barroso foi desmontado.

- Mas o Minas não se deixou abater assim não, sabe o que aconteceu, foi tragado por um vagalhão no Atlântico Norte e levou junto o seu rebocador … um mistério … não sobrou nenhuma pista … o fim dos nossos dreadnouhgts.

- Já foi o tempo das marinhas coloniais, das White Fleets de Teddy Roosevelt, com a política do canhão e do big stick, que ganharam o mundo para os Estados Unidos, às custas dos Espanhóis que tudo perderam na lide … Cuba, as Filipinas …

- Filipinas não, Pilipinas … em sua língua não existe o som efe …

- Pois é …

- E os espanhóis perderam o pior que foi o prestígio internacional, antes surrupiado dos portugueses …

- O que passa é que ambos não se posicionaram frente às grandes conquistas da tecnologia, da ciência e das técnicas de modo mais agressivo e determinado, como os demais países o fizeram. Com isso perderam o que haviam antes ganho na marra …

- A ciência botou-os nos bolsos … e depois cuspiu-os fora …

- Eram por demais conservadores … até hoje …

- Hoje nem tanto, aprenderam com as derrotas seguidas …

- E quem diria, os Ibéricos, que suplantaram todos os outros povos, nas descobertas marítimas, nas grandes invenções navais, na garra do saber naval, pela experiência feito …

- Só pensavam em espoliar os povos descobertos … ao Peru arrancaram-lhes os olhos, do México, a língua … viviam na luxúria e na ilusão de uma glória sem fim, de um depositório infinito de benesses que estavam lá, pela graça de deus, para serem colhidas, usadas e abusadas …

- Só pensar que os outros navegantes europeus por muito tempo ainda criam na Terra Chata, se lembra da Flat Earth Society? Brincadeira, criam que depois de certo ponto havia o caos, um grande buraco, uma cachoeira onde tudo caía ou era tragado, ninguém para contar o resultado da derrocada … Colombo teve que provar-lhes ao contrário.

- E Magalhães e Dias … e todos os outros …

- Tinham medo de enfrentar o marzão … e com razão … só macho é que fazia isso …

- Mas o custo da empreitada era bestial …

- Ora, não é que chegaram afinal os portugueses ao Cipango, só frangalhos, podres, cobertos de escorbuto … encontraram uma gente refinada, vestida em sedas, comendo com implementos, garfo e faca, em pratos de fina porcelana …

- E os portugueses com as mãos, se envenenando com aquelas águas pútridas, vinho avinagrado, queijo bichado, carne putrefata de bordo …

- Mesmo assim os finos e nobres japoneses se dobraram frente aos lusitanos que possuíam um objeto que iria modificar-lhes a vida para todo e sempre: o canhão!

- Parece que quem comanda o mundo é ele … até hoje …

Tive que, mais uma, vez sair correndo. Meu patrão já deveria estar à minha procura …

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