Rio de Janeiro
por GERALDO A. LOBATO FRANCO
- Doutor em Educação
- Mestre em Ciência da Informação
- Bacharel em História e Literatura Hispânica
- Pois é, diz a lenda porque parecia-se com a foz de um rio achado em janeiro, logo, Rio de Janeiro …
- Os primeiros viajantes, sem contar com os que vieram pra ficar, e ficaram o quanto puderam, achavam as nossas defesas marítimas interessantes; veja só o que dizia o norte-americano Kidder, na primeira metade do século XIX:
“Desde que Duguay Trouin levantou ferro, de regresso à França, nenhuma outra esquadra inimiga jamais rompeu a barra do Rio de Janeiro e, de então a esta parte, foram profundas as modificações que sofreu a cidade.”
- Com certeza se referia à proteção oferecida pelas fortalezas que foram construídas ao redor da nossa boca de barra, não?
- Também, pois não foram poucas essas construções. Palácios, urbanização moderna…
- Trouin fez-nos um tremendo estrago, mas o pirata é reconhecido em sua pátria como herói nacional, com estátua e tudo, no porto bretão de Saint Malô, sua cidade.
- Não foi por menos que ganhou essa fama. Deu-nos um verdadeiro banho, merecido, talvez …
- As preocupações de defesa do porto do Rio depois de Trouin eram muitas, veja só o que dizia o mesmo autor, Kidder, sobre a nossa orografia marítima:
“… a tal posição das diversas fortalezas construídas em sua barra, nas ilhas e nos pontos elevados que lhe ficam à cavaleiro que, bem guarnecidas podem eficientemente resistir à mais poderosa esquadra do globo.”
- E, mais adiante explica:
“Sobre a mais proeminente das elevações, o Morro do Castelo, exatamente em frente à barra, fica o posto semafórico que anuncia à entrada a nacionalidade, a classe e a posição de cada navio que surge a seu alcance.”
- Já estávamos um pouco mais civilizados então, não lhe parece? Controlando a entrada e a saída do porto …
- Sempre o fomos, ou ao menos quisemos sê-lo, pois a vinda ao Rio era coisa de meses e meses de muito mar, o que queria dizer quase sempre pouca água e comida menos saudável. O bairro da Saúde, com a sua igrejinha de Nossa Senhora da Saúde, era visitada quase sempre pelos marujos que chegavam cobertos de escorbuto, que vinham pedir à santa a sua saúde de volta … isso até a virada do século, quando se construiu o moderno porto do Rio, com o seu cais de muitos armazéns e toda a área foi aterrada solidamente.
- Coisa esta que conseguiam logo graças às nossas laranjas, limões e abacaxis, fartos em vitamina C … dentre outras frutas da terra.
- Vinham do fundo da baía, de Nova Iguaçu, dentre outros lugares onde eram plantadas em grandes pomares. Até de mais perto ainda, a Ilha do Fundão, por exemplo, tornou-se um belo de um jardim frutífero, pois ali foi instalado um asilo de inválidos da pátria, onde hoje está localizada uma Companhia de Infantaria que serve ao QG do Ministério da Guerra …
- Isso era o Rio, desde então de muitos janeiros …