Eles estão de volta
A aposta do diretor J.J.Abrams (produtor de Lost) para o sucesso na nova e repaginada Star Trek consiste-se basicamente em extirpar todo o romantismo envolto na crença de que a ciência é a cura de todos os males da humanidade, bem como o marcante altruísmo utópico da redenção humana além das já consagradas e manjadas mensagens ideológicas da época da Guerra Fria.
Em troca teremos vários dilemas da vida real embutidos solidamente no contexto de dois principais personagens: James T. Kirk, interpretado pelo ator de TV Chris Pane, que fará um personagem rebelde, como sua própria juventude o instiga a ser, com nuances exageradas de intempestividade e desorientação; e Spock, interpretado pelo ator Zachary Quinto (o mesmo que interpretou Sylar, da série de sucesso Heroes), que estará dividido entre o racionalismo de sua mãe terráquea (interpretada por ninguém menos que Winona Ryder) e o racionalismo de seu pai, do planeta Vulcano.
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Outros dilemas também fazem parte de toda a trama e estão presentes em cada um dos novos personagens, tais como a paixão de Uhura por Spock e o “bichinho de estimação” de Scotty.
Junte-se a isso uma estratosférica dose de efeitos especiais e temos STAR TREK - O FUTURO COMEÇA, que estréia nos principais cinemas brasileiros nesta próxima sexta-feira (08), e que vai muito além do que qualquer um foi antes, já que se propõe a contar como tudo começou, revelando inclusive a infância de Kirk e Spock.
A idéia, segundo Abrams faz questão de frisar, não é a de agradar aos fãs da série, mas sim, atrair novos e fiéis trekkies e como ele mesmo diz: “…eu não era fã. Nunca encontrei nenhuma conexão emocional com os personagens. Gostava deles mas não comprava a idéia da história. Nunca me pareceu real e eu não me via em ninguém do filme, daí pensei: talvez tenha uma versão que me seduza, e então resolvi criar uma conexão emocional entre os personagens e o público e isso me fascinou. …”.
Pensando em “aproximar” bem mais os personagens do público, J.J.Abrams recheou o filme com cenas cotidianas da vida real que inclusivem dosam muito bem a parte humorística da série. O investimento em efeitos especiais e sonoros foi pesado e contribuiu para fazer a nova versão muito mais “real”.
Porém, o melhor do filme, como aponta o diretor, é o fato da história ser contada desde o início, explorando como os personagens se conheceram, como surgiu a idéia da missão e porque a tripulação aceitou explorar o espaço.
O filme já começa com a rebeldia pura de Kirk fugindo da polícia em alta velocidade, mas conta também a crise de identidade de Spock, durante sua adolescência, que enfrenta o dilema de ser filho de uma humana com um extraterrestre.
Os fãs da saga terão surpresas agradáveis e outras “nem tanto”, como diz o diretor: “..o planeta natal de Spock é destruído. Sei que é algo inimaginável nas séries anteriores e estou certo que vou deixar furiosos alguns fãs. Mas quero dizer a eles que o planeta foi destruído neste filme… mas existe nos outros. Este filme não é para vocês…” completa rindo, porém ciente das críticas que recebrá.
Uma das gratas surpresas desta versão é a aparição de Leonard Nimoy, no papel do própiro Spock, só que no futuro. “..Quanto mais eu os escutava, mais estava certo de que iriam honrar este universo e elevar o filme a um nível jamais atingido..”, comenta Nimoy, que conversou por muito tempo com os roteiristas e o diretor Abrams antes de aceitar voltar.
Se o filme vai ou não vai agradar os fãs da saga, é uma incógnita. Porém, uma incógnita com 80% de chances positivas. Abaixo temos alguns comentários sobre o filme extraídos de alguns sites:
Jett, para o Batman on Film:
“…Sem razão para preocupação, STAR TREK não apenas dá reboot a franquia de filmes como também a salva e presta homenagem para a série original. Confie em mim, fãs de Jornada nas Estrelas vão se animar em ver Kirk, Spock, Scotty, Uhura, Chekov, and Sulu juntos pela primeira vez, ao mesmo tem que não se nega mais de quatro décadas de história. Este filme é tão bom que vai agradar ao cinéfilo regular e criar toda uma nova geração de “Trekies”…”
Al, para o What’s up?:
“…A melhor parte foi a trama. Foi fiel aos personagens de TOS, mas adiciona uma surpresa. Este é o início de mais coisas divertidas a vir da franquia de Jornada nas Estrelas. Se você nunca gostou de Jornada nas Estrelas, agora é a hora de lhe dar uma chance (….) No que Savannah e eu deixamos o cinema, fomos requisitados a fazermos uma breve avaliação. Eu disse “10 de 10 estrelas. O melhor filme de Jornada nas Estrelas até agora”. Agora tendo mais de um dia para pensar a respeito, eu ainda considero esta declaração como precisa…”
Ryan Parsons, para o CanMag:
“…Uma das razões principais que os fãs de Jornada nas Estrelas vão adorar Star Trek é que o filme coloca seu foco na importância da relação entre Spock e Kirk. Esta importância é indicada repetidas vezes na série original e nos filmes — no Episódio II até IV em particular — mas ganha muito mais foco aqui. Nós podemos ver a evolução de sua amizade em diferentes níveis, e não é apenas divertido como também é tocante. Eu estou antecipando que muitos Trekkies podem deixar cair algumas lágrimas de euforia sobre isto…”
Joe O’Brien, para o Hardcore Nerdity:
“…Como um fã de Jornada nas Estrelas de longa data, eu não tenho certeza sequer se posso dizer isto, mas… bem… acontece que… eu talvez tenha um novo filme favorito de Jornada nas Estrelas. OK. Aí está. Eu disse, e não posso retirar. (….) Renovar Jornada de um modo que pudesse satisfazer tanto aos velhos fãs como atrair uma nova e maior audiência que possa garantir seu contínuo sucesso é o supremo Cenário Sem Solução. E como qualquer fã de Jornada nas Estrelas que se preze pode lhe dizer, se você quer vencer um cenário sem solução, você precisa mudar as condições do teste. E é com uma habilidade digna de Kirk que Abrams faz exatamente isto com a franquia inteira. O resultado é um filme que vai muito, muito audaciosamente aonde nenhuma outra Jornada jamais esteve…”
Fonte: TrekBrasilis